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Portugal vence a Irlanda ao cair do pano e o golo que libertou Alvalade

Domínio total, um penálti falhado e um golo tardio de Rúben Neves salvaram uma noite que parecia destinada ao empate.

A Seleção de Portugal recebeu a República da Irlanda em Alvalade, e o cenário era simples: ganhar e continuar o caminho tranquilo rumo ao Mundial de 2026. À partida, parecia uma tarefa acessível. No final, foi um daqueles jogos em que o relógio parecia conspirar contra nós e o golo, esse, parecia condenado a não aparecer.

Portugal venceu por uma bola a zero, num jogo de domínio quase absoluto, mas que se arrastou num daqueles enredos em que o adversário só quer sobreviver. A Irlanda apresentou-se em modo bunker: linha de cinco, todos atrás da bola, e apenas um ou dois corajosos a sair para pressionar. Vieram a Lisboa com um plano e, durante 90 minutos, pareceram prestes a cumpri-lo.

Do lado português, faltou o toque de inspiração. Um rasgo, uma aceleração, algo que quebrasse o tédio imposto pelo bloco irlandês. A equipa teve paciência, mas às vezes confundiu paciência com lentidão. Faltou imaginação nas transições e clareza nas ideias. Houve remates de longe, cruzamentos em catadupa, e até um penálti desperdiçado por Cristiano Ronaldo. A bola teimava em não entrar e a frustração começava a ser visível nas bancadas.

E então, quando já muitos olhavam para o relógio com desespero, o momento surgiu. Aos 91 minutos, um cruzamento, uma saída em falso do guarda-redes e Rúben Neves, vindo de trás, apareceu onde ninguém esperava. Cabeceou, marcou, libertou o estádio. Foi o golo do alívio, mais do que da euforia.

Os minutos finais ainda mostraram uma Irlanda mais atrevida, ironicamente, quando já não havia tempo. Portugal poderia ter ampliado, mas o essencial estava feito: vitória e liderança intacta, com nove pontos em três jogos.

Individualmente, Diogo Costa foi quase um espectador. Cristiano Ronaldo teve uma noite discreta. Bernardo Silva falhou o que normalmente acerta. Nuno Mendes pareceu sem gás. Pedro Neto foi talvez o mais insistente, o que tentou dar outra faísca a um jogo que pedia isso mesmo faísca.

Foi uma vitória sofrida, mas importante. Mais do que três pontos, é um lembrete: o talento ajuda, mas sem criatividade e velocidade, até os adversários mais modestos podem parecer muralhas. Terça há novo jogo e espera-se que, dessa vez, o golo não se esconda tanto.

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